Dialetica

Marcelo Ave (24 anos) é médico formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Atualmente trabalha como clínico geral. Nascido em Niterói-RJ a 05/01/1978, capricorniano, tem desenvolvido profundo interesse por filosofia e pelas mudanças sócio-econômicas trazidas pelo processo de globalização e pela Era da Informação.

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segunda-feira, fevereiro 11, 2002
 
Na atual Era da Informação, o conhecimento é o poder, assim dizem os atuais pensadores. Quando da sua criação, a proposta da Internet era a de ser uma fonte de interação entre os seres humanos e um veículo para agilizar o intercâmbio de informação e disponibilizar cultura ao acesso de todos.
Entretanto, o que se vê no ciberespaço é uma Internet como espaço virtual para chats e anúncios tal como um catálogo telefônico onde se fazem negócios.
Projetos como o Gutenberg Project (www.gutenberg.net) disponilizam gratuitamente versões e-text para download dos grandes clássicos da literatura mundial, assim como obras de grandes pensadores.

domingo, fevereiro 10, 2002
 
Por que Paulo Coelho tem sucesso?

Essa é a pergunta que mais escuto, de jornalistas do mundo inteiro. Mas se o leitor acha que consigo respondê-la, é melhor parar de ler o artigo por aqui. O meu processo de criação vai contra tudo aquilo que se convencionou chamar de “receita do sucesso”.

Em primeiro lugar, porque não sigo uma fórmula temática em meus livros: O diário de um mago e As Valkírias, , por exemplo, tratam diretamente de espiritualidade, enquanto O Alquimista e Veronika decide morrer sequer tocam no assunto. Além disso, a inserção de personagens no tempo varia muito; em O Monte Cinco estamos alguns séculos A.C.; Na margem do rio Piedra sentei e chorei acontece no presente, enquanto O Alquimista e O demônio e a Srta. Prym não fazem qualquer referência à época.

Há gente que diga que é marketing: ora, os meus primeiros dois livros ( Diário de um mago e Alquimista ) já tinham vendido mais de 250.000 cópias quando a editora colocou o primeiro anúncio. O mesmo ocorreu no exterior: os editores estrangeiros só se aventuraram a investir no desconhecido autor brasileiro quando viram o que acontecia aqui — e mesmo assim, sem muita convicção, argumentando que “o que acontece em um país, pode não acontecer no outro”.

Então, se existem contradições de tema e de espaço, e se o marketing era inexistente na fase crítica — em que os primeiros livros saíram sem qualquer alarde — onde reside o segredo?

Segredo, não existem nenhum. Mas existem três fatores que, no meu entender, fazem com que “o universo sempre conspire a favor de quem quer realizar um sonho”.

O primeiro fator: é preciso estar absolutamente convencido daquilo que se está fazendo. A partir do momento que decidi viver de literatura, deixei de lado todas as outras possibilidades de subsistência. Parei meu trabalho como letrista de música, roteirista de TV, jornalista, e resolvei apostar toda a minha energia naquilo que me dava alegria de viver. Como todas as outras pessoas, tinha família para sustentar, mas minha família me apoiou — porque o amor sempre é a força maior atrás de qualquer iniciativa.

O segundo fator: você não consegue jamais realizar um sonho sozinho, portanto encontre os seus aliados. E meus aliados foram os leitores que, através do boca-a-boca, conseguiram difundir o trabalho de um escritor desconhecido. Se alguém gosta do que leu, irá recomendar o livro ao seu amigo, namorado, filho. O apoio inicial partir do leitor também protege o autor dos eventuais ataques da imprensa; como já tomou conhecimento do trabalho, julgou e recomendou, quando estiver diante de uma crítica negativa, irá lembrar-se de seu próprio julgamento, e não se deixará influenciar.

Finalmente: descubra uma maneira pessoal de compartilhar o seu sonho. Isso, em literatura, é chamado de estilo. Procurei falar de temas antigos, usando uma linguagem moderna. Os manuscritos originais tinham quase o triplo de páginas, mas eu me obriguei a acreditar que o leitor era capaz de utilizar sua imaginação na construção dos cenários, de modo que me limitei a narrar os conflitos dos personagens. A experiência provou que eu não estava errado.

Um autor tem que correr riscos: não pode deixar-se escravizar pelos temas, na esperança de agradar a quem o lê. Precisa ser honesto naquilo que escreve, e transparente consigo mesmo — porque o leitor perceberá quando estiver diante de um romance escrito apenas para satisfazer as “tendências de mercado”, e vai sentir-se traído. Eu nunca posso prever o que milhões de leitores no mundo inteiro, em culturas diferentes, irão pensar daquilo que estão lendo; conseqüentemente, escrevo para a única pessoa com quem tenho certa intimidade — eu mesmo.

Quando começo um livro, travo o duro combate entre quem sou, e que parte gostaria de melhorar em mim mesmo. Qualquer atividade criativa é uma aventura dolorosa e fascinante ao mesmo tempo: por um lado existe o medo de descobrir nossos próprios fantasmas, por outro está a excitação de saber que somos mais interessantes do que pensamos.

E para este mergulho na alma, é preciso um processo criativo bem definido, do qual falaremos na próxima semana.

 
O Aborto

Sentia algo de diferente por dentro
Uma plenitude jovial e encantadora
Crescia dentro de mim
Cheia de vida, pulsante
Banhada na mais pura alegria
Uma semente do amor
Um sonho prestes a ser concebido

Foi quando você, inconseqüente
provocou o seu abortamento
tão súbito
tão frio
tão indiferente
tão doloroso

Por qual razão ?
Uma perda
Uma perda de parte de mim
A melhor parte
Minha tristeza
A perda da vontade
A perda do sentido

Antes, a vida não merecia reflexão
Tão bela e plena por si só
Tão simples e profunda
Agora carece de significado

Meu coração tornou-se infértil


 
A todos os que me conhecem, fico feliz em ter descoberto uma forma de publicar minhas opiniões e expressar idéias. De todas as minhas vaidades, creio que me expressar é aquela que está de conformidade com os anseios da maioria. E graças a esse mundo informatizado, a interação com as pessoas cada vez mais parece deixar o plano físico e toma forma e dinâmica num espaço virtual que nada mais representa o que alguns filósofos antigos chamavam de "mundo das ídéias". Esta não é uma coluna de mão única e a interatividade com todos que a leêm é mais do que bem vinda.